No entanto, segundo a Justiça Eleitoral, não há nenhuma prova que ligue o presidente ao escândalo da tentativa de compra de um dossiê que ligaria políticos tucanos com a ‘máfia das ambulâncias’. Por isso, não há indícios de crime eleitoral.
Os ministros seguiram o voto do corregedor César Asfor Rocha, que declarou não haver ligação entre Lula e o dinheiro (cerca de R$ 1,7milhão) apreendido pela PF (Polícia Federal) com os ex-petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos no dia 15 de setembro do ano passado em um hotel de São Paulo, que seria utilizado para comprar os documentos anti-PSDB.
Rocha, que deixou o cargo nesta terça após o julgamento, acompanhou todas as investigações sobre o escândalo do dossiê e concluiu que o episódio mais atrapalhou do que ajudou a campanha de Lula.
Além de Lula, entre os réus da representação dos tucanos estavam o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), e o ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. Todos foram inocentados pelo TSE da ação movida pelos oposicionistas.
Histórico - A representação havia sido protocolada no TSE em 18 de setembro de 2006, dois dias após o empresário Valdebran Padilha e o advogado Gedimar Passos (ambos petistas) serem presos em flagrante pela PF em um hotel em São Paulo portando R$ 1,168 milhão, que seria utilizado na compra do dossiê.
Câmeras de segurança do hotel flagraram o então coordenador da campanha do senador do PT, Aloízio Mercadante, ao governo de São Paulo, Hamilton Lacerda, levando o dinheiro a Valdebran e Gedimar. Segundo a PF, que efetuou a prisão, eles são acusados de tentar comprar o documento do empresário Luiz Antonio Vedoin, apontado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Sanguessugas como líder de um esquema de compra e venda de ambulâncias superfaturadas.
Depois de quase 100 dias de investigação, a PF em Mato Grosso indiciou cinco acusados de participar da venda do dossiê. Além de Valdebran, Gedimar e Hamilton, foram indiciados Mercadante e o tesoureiro da sua campanha, José Giácomo Baccarin. Acusados de serem os mentores da negociação com Vedoin, o ex-coordenador da equipe de inteligência da campanha à reeleição de Lula Jorge Lorenzetti, o integrante da campanha de Lula Oswaldo Bargas e o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso, não foram enquadrados em nenhum crime.
No último dia 12, Mercadante foi inocentado de envolvimento no episódio pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O pedido de indiciamento foi arquivado. O Supremo também suspendeu a ação penal contra Baccarin.