Já está na Justiça Comum o inquérito que apurou a morte dos irmãos universitários (acadêmicos de Medicina), Leonardo e Marcelo Moreno Teixeira, ambos assassinados, a tiros, há 12 dias. O duplo homicídio ocorreu em uma churrascaria, na cidade de Iguatu (a 385 quilômetros de Fortaleza). O delegado-regional de Iguatu, Marcos André Rodrigues, informou ter entregue os autos à Justiça no começo da tarde de ontem. O relatório resume todas as investigações, nas quais 15 pessoas foram ouvidas, entre elas, o acusado do crime, capitão PM Daniel Gomes Bezerra.
Conforme o delegado, aos autos foram anexados os laudos dos exames de necropsia, de balística (nas balas retiradas dos corpos das vítimas, comprovando que elas são de calibre 38), além do exame de corpo de delito a que foi submetido o capitão. O delegado aguarda ainda mais dois laudos. “Mesmo sem eles, tinha que enviar o inquérito hoje (ontem), para não passar do prazo”, assegurou o delegado.
Hoje, o juiz que receber o inquérito dará ‘vistas’ (o encaminhará) ao Ministério Público, que terá prazo para oferecer a denúncia contra o PM. Daniel Bezerra permanece preso, preventivamente, no quartel do BpChoque, nesta Capital. 
Weruska Pedroza prestou um longo depoimento e sustentou as palavras do marido em sua primeira versão Ao lado da advogada, Werusca (à Esquerda) prestou depoimento durante cerca de duas horas, na sede da Polícia Civil. Estava visivelmente abatida e muito emocionada (Foto: Fábio Lima) Em um depoimento que durou quase duas horas, emocionada e bastante abatida, a auxiliar de escritório, Weruska Pedroza Lima Gomes, de 29 anos, defendeu, ontem de manhã, em depoimento ao delegado Marcos André Rodrigues da Silva, a versão apresentada pelo marido, o capitão da Polícia Militar, Daniel Gomes Bezerra, de que o mesmo agiu em legítima defesa, tendo sido agredido pelos irmãos Leonardo e Marcelo Moreno Teixeira. Os dois acabaram sendo mortos, a tiros, pelo oficial da PM.
Segundo Werusca, o casal havia chegado à churrascaria do posto Icavel, na cidade de Iguatu, às 22 horas do último sábado, com a filha dela de 10 anos e um amigo deles, o contador Bernardino Sena Neto .
“Daniel tomou, aproximadamente, umas cinco doses de uísque”, disse ela. Segundo Weruska, por volta das duas horas da madrugada, momentos antes de pagarem a conta, ela levou a filha até o carro, e a colocou no banco traseiro, com os vidros baixos até quase a metade. “O veículo possui película, entretanto, quem está do lado de fora dá para perceber quem se encontra do lado de dentro. Quem está dentro do carro percebe visivelmente quem está do lado de fora.” De acordo com a mulher, logo depois de a menina ter ido para dentro do carro, a ouviu gritar. “Ela me chamou gritando.” Weruska diz que correu até o veículo, momento em que avistou um homem debruçado sobre o carro, do lado do passageiro. O homem, debruçado sobre o carro estava com a calça aberta, no zípper. Conforme o depoimento, a mulher, então, perguntou: “O que é que você quer aí?”, então o homem a empurou. Conforme a mulher do capitão, foi neste momento que teria se iniciado uma luta corporal entre seu marido e os dois homens.
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