O veículo utilizado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para o patrulhamento na região da Favela da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, enguiçou, no início da noite desta sexta-feira. O carro teve de ser guinchado. O caveirão é um carro blindado adaptado para ser um veículo militar. A palavra caveirão refere-se ao emblema do Bope, que aparece com destaque na lateral do veículo. Recentemente, uma análise da Anistia Internacional sobre os problemas de segurança no País nos últimos meses, concentrando-se na situação de São Paulo e Rio de Janeiro, criticou a utilização do veículo.
Confronto entre polícia e traficantesNo décimo dia de ocupação nas Favelas do Complexo do Alemão foi marcado por intensos confrontos entre policiais e traficantes. Nesta sexta-feira, 11, duas pessoas morreram (um traficante e um morador) e dois moradores ficaram feridos. O corpo do traficante Márcio Greik dos Santos, de 25 anos, baleado na quinta-feira, foi localizado num hospital público em Niterói, no Grande Rio. Desde o início da ocupação, motivada pelo assassinato de dois policiais militares, 39 pessoas ficaram feridas e 14 morreram. Desde quinta-feira, a polícia está na Grota, uma das 17 favelas do complexo, depois de ter recebido a informação de que os suspeitos da morte dos policiais estavam escondidos naquela área. Márcio Greik estava entre os criminosos que trocaram tiros com a PM. Acabou baleado. Apesar do cerco, os criminosos conseguiram tirá-lo da favela. Greik foi deixado no Hospital Estadual Azevedo Lima. "Não necessariamente ele foi retirado por bandidos, porque nós percebemos, e eu tenho denunciado isso, aquela sociedade é oprimida e às vezes eles são obrigados fazer coisas que são contrárias à lei. Se o traficante pega um morador e determina que ele coloque o bandido no seu carro e saia dali com o bandido, ele vai obedecer, não só por si mesmo, mas por sua família, que mora lá dentro", explicou o comandante da PM, coronel Ubiratan Ângelo. Greik ficou conhecido em 2001, quando seus comparsas montaram uma operação de resgate para retirá-lo do Hospital Geral de Bonsucesso, onde estava internado. Na ação, sete pacientes foram baleados e o PM que fazia sua escolta, morto. O confronto foi retomado na manhã desta sexta, quando o Batalhão de Operações Especiais chegou à favela. Estratégia anticaveirãoOs criminosos esparramaram óleo na Ladeira Itararé para impedir a subida do blindado, conhecido como caveirão. E dispararam contra o helicóptero da Polícia Civil. Armando Carvalho foi atingido por tiro de fuzil nas pernas. Morreu no Hospital Getúlio Vargas. Ele trabalhava para o tráfico, informou a polícia. No início da tarde, Wilson Félix Pereira, de 65 anos, morador de uma das favelas do complexo, morreu no Posto de Atendimento Médico de Ramos. Ele foi atingido nas costas, quando estava na laje de casa. O camelô Marcelo Luiz da Silva, de 30 anos, preparava-se para almoçar, quando um tiro atravessou a parede da cozinha e espatifou o vidro do fogão. A irmã dele caiu, desmaiada. "Pensei que ela tivesse sido atingida, mas teve só uma crise nervosa. Quando cheguei na rua com ela, encontrei meu tio caído no chão, ensangüentado. Tive de socorrer os dois", contou Silva. José Alexandre da Silva, de 56 anos, funcionário da associação de moradores da Vila Cruzeiro, seguia para casa, quando foi atingido no braço direito por tiro de fuzil. Teve fratura exposta. O estudante Franklin de Souza Azevedo, de 16 anos, sem aulas desde o início do confronto, começou a trabalhar como ajudante de pedreiro na casa do vizinho. Ele carregava um saco de areia, quando foi atingido por um tiro na perna direita. "Isso é uma loucura. Você sai para trabalhar e não sabe se volta. Todo dia via esse hospital na tevê e pensava: `Pode acontecer comigo´. Agora aconteceu", afirmou a dona de casa Regina Célia de Souza Durval, mãe do rapaz. Publique este artigo no seu site | Visto: 7518
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