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Vovó Rita Lee revisa carreira em DVDs PDF Imprimir E-mail
17 de maio de 2007
Rita LeeSobreviver de música no Brasil durante 40 anos é um privilégio para poucos. Rita Lee, que disse essa frase, é uma dessas resistentes às oscilações do mercado. "O que se recebe de direitos autorais por aqui ainda é piada, apesar de que nunca fui do tipo contar moedinhas", diz. Com planos de voltar a fazer rádio, nos moldes do Rádio Amador, que apresentou na 89 FM em 1986, e lançar outro álbum de canções inéditas até o fim do ano, a cantora e compositora reflete sobre a carreira na série de DVDs Biograffiti (Biscoito Fino).

Os três primeiros - Ovelha Negra, Baila Comigo e Cor de Rosa Choque - já estão disponíveis e em cada um ela e o marido Roberto de Carvalho mostram uma canção inédita, de letras bem elaboradas. Eu Sou do Tempo tem um jeito carioca, como definiu Roberto, e rememora as glórias brasileiras dos anos 50 e 60: a bossa de Nara, a voz de Elis, marchinhas de carnaval, concursos de miss.

"Eu era feliz e sabia", diz o verso-chave. Tão é um rock divertido, sobre uma pessoa muuuito chata de tão correta, com "carisma de maçaneta", uma "grandissíssima super-hiper-mega-mala" que, pelo que ela e Roberto insinuam, é baseada numa personagem real. Dinheiro é uma balada-rock com cara de hit instantâneo, ainda mais que o assunto é de interesse Geral.

Fatos e lugares de SP

Em Ovelha Negra, Rita repassa fatos e revisita lugares da infância em São Paulo. O tema de Baila Comigo é descrito como sobre "a vida na estrada", mas, apesar de se concentrar no desenvolvimento do trabalho de Rita, não é exatamente isso. Até porque o que ela menos tem vontade atualmente é de correr mundo. "Não tenho mais paciência pra viajar. Pago pra não sair de casa". Cor de Rosa Choque se concentra nos atributos femininos dentro do universo roqueiro. "Pra fazer rock’n’roll tem que ter colhão. Ouvia isso o tempo todo. Mas rock também tem ovário e úteros. Bate em mim se você não concordar", provoca Rita num dos depoimentos gravados em sua casa. "Toda mulher é chata e todo homem é bobo", sustenta em outro momento.

Dirigidos por Roberto de Oliveira e Roberto de Carvalho, os DVDs reúnem depoimentos, encontros no palco e imagens de arquivo envolvendo Rita com Elis Regina, João Gilberto, Caetano Veloso, Tom Zé , Os Mutantes, Cássia Eller ("a grande ovelha negra dos últimos tempos"), o grupo Tutti Frutti, a irmã Virginia Lee, o filho Beto Lee, a neta Izabella, entre outros, além do marido. Uma cena rara é Rita cantando Joujoux et Balangandans (Lamartine Babo) com João Gilberto, num programa de tevê de 1980. "Contam várias histórias sobre o temperamento difícil de Joãozinho, mas conosco ele sempre foi gente fina pra caramba e liberou no ato (as imagens)", conta Rita.

 

Sensualidade explícita

Elis foi visitá-la na cadeia quando Rita foi presa por porte de drogas em 1976. Em retribuição, a compositora fez para ela Doce de Pimenta (brincando com o apelido da cantora) e as duas cantaram juntas num especial da TV Bandeirantes em 1978. Na cadeia, Rita lembra que conheceu uma "sapata" conhecida como Macedão: "Foi um de um cavalheirismo, até cedeu a cama dela pra mim."

Outras passagens divertidas envolvem o hit Mania de Você. Rita conta em detalhes como a música e a letra foram feitas por ela e Roberto, dentro de um quarto de hotel, na ebulição de uma noite de lua-de-mel. A letra descreve exatamente o que aconteceu, atesta ela. Ainda em torno da sensualidade explícita e envolvente da canção, Tom Zé dá um depoimento exaltado e hilário, propondo até um estudo científico sobre o órgão de Roberto que levou essa "moça" a escrever versos tão eróticos.

Os três DVDs alternam documentário com números de shows recentes, gravados em Limeira em 2006, no réveillon da Avenida Paulista, quando completou 60 anos, e na Praia de Copacabana em janeiro, incluindo belas panorâmicas do Rio em vôos de Helicóptero.

 

Primeira neta

Num dos DVDs da série Biograffiti, Rita Lee aparece de cabelo despenteado e "sujo", como ela diz, trajando uma camiseta com a frase: "Don’t give me any drugs." A cantora lembra que já faz dez anos que tem "controle total das drogas proibidas" e que com a chegada da primeira neta, "não tem mais espaço pra isso". Rita também diz que depois de bossa’n’roll e bossa’n’Beatles, pretende gravar um CD de bossa’n’cinema; retomar os livros infantis com o personagem Dr. Alex e até trabalhar com música eletrônica, influência do filho João, que é DJ. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado por e-mail.

"Tão", "Dinheiro" e "Eu Sou do Tempo" estarão no próximo CD?

Essas três músicas já temos há um tempinho no meio de várias outras inéditas, não sabemos ainda se vamos gravá-las no próximo disco ou se ficam como um "cadeaux" para os DVDs... Recentemente nos casamos com a Biscoito Fino e pretendemos fazer filhos, entre eles um disco de inéditas para o fim do ano e, como não deu para contar meus 40 anos em apenas 3 DVDs, vamos continuar a novela na próxima caixa de DVDs, como aconteceu com o Chico (Buarque).

A letra de "Tão" tem grande apelo popular. O mundo está cheio de gente que vai querer dedicá-la a alguém. A pergunta é: quem é a personagem da letra? Imagino que você não vá citar nomes, senão teria dito no DVD, mas pode dizer algumas características dessa pessoa?

Todos nós somos chatos, é uma característica do ser humano. Mas existe aquela figura insuportável que tenta posar de altruísta, mas não engana os mais atentos. É uma pessoa falsa boazinha/correta, geralmente com um sorriso compreensivo no rosto, mas que na verdade está tentando se descolar à custa do próximo. Já reparou como anda aparecendo gente chata pra caramba pegando carona com a "moda" do aquecimento global? Você já viu uma pessoa mais "tão" do que Bono Vox?

Sua música sempre teve vocação para a dança, a festa. No DVD "Baila Comigo" você fala num possível projeto de música eletrônica. Está realmente empenhada nisso?

Sempre flertei com eletronicidades, me lembro da crítica ter caído de pau quando usei bateria eletrônica no disco "Saúde" (até a crítica mudou para melhor, hehehe). Ultimamente só tenho escutado música instrumental, da eletrônica à clássica, ando cansada da palavra falada e cantada, de discursos. Meu filho João Lee, que é DJ, montou um estúdio caseiro bem legal e estamos brincando a sério com a coisa. Nosso próximo projeto com a Biscoito Fino, porém, será um disco de inéditas, mas o trabalho com João também está na agenda sim.

Embora continue burilando boas letras, você diz que está um pouco cansada da palavra. Acredita que se voltando para a música eletrônica esse lado instrumental tende a se expandir? Ou a palavra ainda é muito forte (pelo menos para os ouvidos brasileiros) para ser descartada?

O que gosto mesmo em música eletrônica, além da ausência do nhenhenhém das palavras, é que não tem um herói cagando regra basta soltar a franga e dançar que todo mundo vira herói na Pista.

Você disse também que tem vontade de voltar a fazer programa de rádio. Já tem alguma coisa encaminhada nesse sentido? Como seria esse programa?

Fazer o Rádio Amador junto com meu querido Antonio Bivar foi uma das aventuras mais bacanas da minha vida e gostaria muito de retomar a brincadeira agora que as rádios não vão me boicotar como aconteceu em 86. Aliás, Bivar e eu estamos oferecendo nossos prestimosos serviços para quem se interessar possa. Só avisamos que sob hipótese nenhuma aceitamos qualquer tipo de censura prévia, somos elegantes o suficiente para usar assuntos chulos.

O que acha de Tom Zé dizer que suas letras são "sexo-pedagógicas"?

O depoimento de Tom Zé foi hilário como sempre. Não havia percebido até ele explicar que Roberto e eu escancaramos nossa cama e convidamos o planeta para uma bela suruba.

Você diz que compôs suas melhores músicas (e as piores também) sob efeito de drogas. Poderia citar algumas, tanto as boas, quanto as ruins?

Das boas eu escolho Lança Perfume, Mania de Você, Ovelha Negra, Banho de Espuma, Caso Sério, Papai me Empresta o Carro, Luz del Fuego e outras tantas... As ruins são tão ruins que eu fiz questão de deletar da cabeça.

E desde que parou de consumir drogas, no que encontra motivação para compor?

Não cheguei a cheirar as cinzas do meu pai porque ele morreu antes da dica de Keith Richards, hehehe... Me observar com 60 anos de idade é muito louco. A cada gracinha nova da minha neta me sinto mais sábia, esculhambo a babaquice de nós humanos pero sin perder la ternura, me inspira plantar tomates na horta, o cheiro de merda do Rio Tietê me é simpático. Sei lá meu, são tantas emoções.

O que mudou na sua visão de mundo (e também no modo de encarar a carreira artística) depois de se tornar avó de Izabella?

Ziza é o que há de delícia do paraíso!!! Se eu soubesse que ser avó era tão bom eu nem teria sido mãe. Minha vontade agora é diminuir o máximo de shows para ter mais tempo de ficar brincando com ela. Me sinto uma mistura de Vovó Donalda com Dercy Gonçalves.

Você diz que sua vida (como a de todo mundo, suponho) é antes e depois do computador, mas também é antes e depois de Roberto de Carvalho, certo? Isso de "juntar a fome com a vontade de comer" nas atividades artísticas foi sempre assim? E do lado afetivo, também?

Foi-se o tempo em que Roberto era crucificado por nove entre dez críticos, a ciumeira passou e o reconhecimento dele como meu parceiro musical finalmente foi aceito. Roberto trouxe uma riqueza harmônica que me possibilitou abrir meus horizontes musicais para cantar bossa nova, boleros y outras cositas além do rock troglodita que até então eu estava acostumada. Ele também é um romântico incurável que me manda flores toda semana e prepara jantares vegetarianos supimpas. Agora que estamos morando no meio do mato a vontade é de não sair mais de casa, mas sei também que subir no palco é o que há de tesão. Roberto e eu adoramos estúdio e hoje em dia você sabe que não precisa sair de casa para gravar um disco. Portanto acredito que vamos continuar tocando nosso barquinho adiante, tanto com shows quanto com discos, mas de uma maneira que o menos seja mais.

Segundo Sérgio Dias, você foi convidada para reintegrar os Mutantes, mas não quis. E já que Biograffiti faz um apanhado histórico de sua carreira, por que os Mutantes só aparecem em imagens antigas e não há depoimentos de Sérgio e Arnaldo? Você não quis? Eles não quiseram? Deram o troco? Ou nada disso?

Por uma questão simples: os manos são Palmeiras e eu sou corintiana.


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Comentários (4)
1. Escrito por Christiana em 25-12-2009 02:43 - Visitante - IP: 212.117.164.65
 
 
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2. Escrito por Sanders em 26-08-2010 06:09 - Visitante - IP: 117.59.85.243
 
 
 
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Ludimá Marques

Antonio Ludimá De Araújo Marques natural de Pacujá-CE,seu trabalho  com a comunicação começou logo muito cedo,aos 11 anos quando foi jornaleiro  na sua cidade.
Sua paixão pelo rádio deu inicio no comerço da década de 90 quando ainda criança sua mãe ao acordar ligava o rádio no programa "varadão da fazenda" da Rádio Tupinabá de Sobral.
Ao longo dos anos sua paixão foi aumentando e aos 13 anos largou na radiofônia cearense,sendo um dos membros do programa da Pastoral da Juventude da Paróquia de Pacujá na FM São Francisco daquela cidade.
Em 2002, passou a residir em São Benedito e foi convidado a fazer parte da equipe da  Rádio Tabajara pelo diretor da época Paulo Luz. Apresentou programas como:Brega Show,Comando Geral,Boa Noite Amor,A noite é Nossa,Show Da Manhã e o Forrozão Tabajara.
Hoje, é apresentador oficial do programa Jornal Regional líder absoluto de audiência em São Benedito e região,levando as informações da região a milhares de ouvintes espalhados pela serra da Ibiapaba,buscando sempre levar a frente a responsabilidade da notícia verídica ,é correspondente do Sistema Verdes Mares de Comunicação da Rádio Verdes Mares AM no programa Radio Notícias Verdes Mares, Ludimá Marques é  conhecido na região como o 'Baby do Rádio',por ter iniciado no rádio tão jovem.
É um grande esportista torcedor do Fortaleza Esporte Clube,membro da APCDEC e ABRACE,faz parte da equipe esportiva 870 sempre comandando as narrações e reportagens nas transmissões esportivas por todo  o estado do Ceará.
Ocupa o cargo de diretor administrativo desta conceituada emissora,formado em radialismo pela Faculdade Integrada Da Grande Fortaleza (FGF),cursa bacharelado em administração empresarial pela Faculdade Unives,Ludimá Marques faz rádio por amor,amando o que faz,o mesmo se sente muito recompensado ao saber que o seu maior patrimônio no rádio é o ouvinte seja no rádio receptor ou pela internet.  

LOCUTOR:Ludimá Marques
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