Nove navios dos Estado Unidos com 17 mil militares entraram nesta quarta-feira, 23, no golfo Pérsico, numa demonstração de força no litoral do Irã que, segundo a Marinha, foi a maior concentração naval à luz do dia desde o início da guerra do Iraque, em 2003. Oficiais da Marinha disseram que os iranianos não foram notificados da movimentação através do estreito de Ormuz, um canal em águas internacionais, separando o país da península Arábica, uma importante artéria para o comércio internacional de petróleo.
A esquadra (que transporta também cerca de 140 aviões a serem usados nos exercícios das próximas semanas) cruzou o estreito por volta de 1h (hora de Brasília; começo da manhã na região). O contra-almirante Kevin Quinn, que comanda o grupo, disse que os navios realizarão exercícios como parte de um esforço planejado durante muito tempo para tranqüilizar aliados regionais sobre o compromisso dos EUA com a segurança do Golfo. "Há sempre a ameaça de algum ator estatal ou não-estatal que possa decidir fechar um dos estreitos internacionais, e o maior deles é o estreito de Ormuz", disse ele a jornalistas a bordo do USS John C. Stennis, um dos dois porta-aviões envolvidos. "O que há de especial nisto é que temos dois grupos de combate. Todo mundo nos verá porque é à luz do dia." Oficiais da Marinha disseram que a decisão de enviar um segundo porta-aviões foi tomada na última hora, por razões não esclarecidas. A maioria dos navios dos EUA passa por estreitos à noite, para não atrair a atenção, e raramente eles se deslocam em esquadras tão grandes. RespostaO Irã vai resistir a qualquer ameaça e dará uma resposta poderosa a seus inimigos, disse nesta quarta-feira o ministro da Defesa do país, Mostafa Mohammad Najjar. "O Irã islâmico vai resistir a qualquer tipo de ameaça e dará uma resposta poderosa aos inimigos e opressores", disse ele, segundo a agência oficial de notícias Irna. O ministro fez a declaração para celebrar os 25 anos da recaptura de um porto iraniano que havia sido controlado por forças iraquianas durante a guerra entre ambos os países (1980-1988). TensãoAs tensões entre Estados Unidos e Irã, por causa das ambições nucleares de Teerã, e o Iraque provocaram temores na região de um possível confronto militar que poderia afetar as economias do golfo e as importantíssimas exportações de petróleo. Washington diz buscar uma solução diplomática para o impasse atômico, mas não descarta o uso da força. O Irã promete atingir interesses americanos na região se for atacado. Embora o Irã não tenha tecnologia para se contrapor às forças dos EUA, especialistas dizem que o país poderia causar perturbações à navegação no golfo Pérsico e interromper o fluxo de combustíveis no estreito, por onde passa 40 por cento do petróleo comercializado no mundo. Um comandante militar iraniano acusou os EUA de trabalharem contra o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, mas que Teerã seria capaz de confrontar eventuais ameaças com suas "armas e equipamentos especiais". "Se um dia uma guerra estiver a ponto de acontecer, o Irã vai defender suas fronteiras com mais força do que nos anos anteriores", disse Alireza Afshar, descrito como responsável pela "propaganda de defesa", à agência de notícias Mehr. Cerca de 40% do petróleo comercializado no mundo passa pelo estreito de Ormuz, e o petróleo subiu a US$ 70 por causa da demonstração de força dos EUA, que coincide com um relatório da agência nuclear da ONU sobre o programa atômico da República Islâmica. Ressaltando os riscos de um confronto acidental, um oficial da Marinha disse que o USS Stennis recebeu nove consultas de países vizinhos, sendo duas de Omã e sete do Irã, inclusive de um barco iraniano que se aproximou. Há menos de duas semanas, durante visita ao Stennis no golfo, o vice-presidente Dick Cheney disse que os EUA ficarão ao lado dos aliados para impedir que o Irã adquira armas nucleares e "domine a região". Dias depois, em visita a Abu Dhabi, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ameaçou retaliações "severas" se os EUA atacarem seu país e pediu que os países do Golfo "se livrem" das forças estrangeiras, às quais atribuiu a insegurança regional. Publique este artigo no seu site | Visto: 2886
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