O radical de direita que admitiu responsabilidade no ataque à bomba e no tiroteio de sexta-feira (22) que mataram 93 pessoas afirmou ter agido sozinho, disse a Polícia da Noruega ontem.
"Ele admitiu ambos os atentados, a explosão e o tiroteio, mas não admite culpa criminal", disse o chefe de polícia Sveinung Sponheim, em uma entrevista , sobre o suspeito Anders Behring Breivik.
"Ele disse que estava sozinho, mas a Polícia precisa verificar tudo o que ele disse. Algumas das testemunhas do tiroteio nos deixaram inseguros quanto à possibilidade de haver um ou mais atiradores", disse.
De acordo com informações de um dos médicos que atenderam as vítimas no Hospital de Ringriket, Anders Behring Breivik usou balas especiais no massacre da ilha de Utoeya, nas cercanias de Oslo, onde quase 90 jovens morreram.
O médico Colin Poole, chefe da divisão de cirurgia desse hospital afirmou que em pelo menos 16 corpos não foi possível recuperar as balas.
"Aquelas balas mais ou menos explodiram dentro do corpo. (...) Essas balas infligiram danos internos que são absolutamente horríveis", comentou.
Especialistas em balística afirmaram que as balas chamadas "dum-dum", a provável munição usada pelo atirador, são mais leves que as balas comuns, além de serem melhores para tiros à longa distância, sendo utilizadas regularmente por caçadores.
Vítimas
O número de vítimas fatais no duplo atentado na última sexta-feira na Noruega foi para 93 ontem com a morte de um dos feridos.
Com isso, subiu de 85 para 86 o total de vítimas no tiroteio em um acampamento de verão da juventude do Partida Trabalhista na ilha de Utoeya. Outras sete pessoas foram mortas, cerca de duas horas antes, na explosão de uma bomba nos arredores da sede do governo, em Oslo.
Centenas de pessoas participaram ontem de uma missa celebrada em Oslo em memória às vítimas do duplo atentado. Os arredores da catedral de Olso, no centro da capital e a poucos metros do distrito governamental alvo do carro-bomba do primeiro ataque, ficaram tomados policiais, militares e bombeiros, mobilizados pelos incidentes.
O papa Bento XVI lembrou na missa dominical as vítimas dos atentados e pediu que se abandone "para sempre a via do ódio" e se fuja "da lógica do mal". No sábado, o religioso enviou um telegrama de condolências ao rei norueguês.
Fonte : Diário Do Nordeste