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Com 1,7 bilhão de dólares já acumulados na bilheteria, a franquia Piratas do Caribe, adaptada de um brinquedo da Disney, tem lugar de honra no ranking das idéias pelas quais ninguém dava nada – até a platéia decidir o contrário. (Outro exemplo notório: Star Wars, que todos os amigos de George Lucas, à exceção de Steven Spielberg, acharam ridículo.) O mistério, no caso, é o que exatamente constitui o apelo dessa idéia.
A parte inaugural da série, A Maldição do Pérola Negra, era uma aventura muito simpática, que, como bônus, demonstrou que Johnny Depp não precisa ser outra coisa que não Johnny Depp para se tornar viável numa superprodução.
A continuação, O Baú da Morte, transformava tudo o que o primeiro filme tinha de atraente em pretexto para o exagero – mais música, mais ação, mais maneirismos, mais mais. Agora, o derradeiro (pelo menos até segunda ordem) capítulo da trilogia, No Fim do Mundo (Pirates of the Caribbean: at World's End, Estados Unidos, 2007), desde sexta-feira em cartaz no país, tenta restabelecer algum equilíbrio entre esses extremos. Tenta, mas sem muita convicção. Geoffrey Rush volta como o divertido Capitão Barbossa, o que é muito bom, e o par romântico formado por Orlando Bloom e Keira Knightley ganha pelo menos uma cena que justifique sua presença. Em compensação, ótimos coadjuvantes, como Lee Arenberg, Mackenzie Crook (a dupla de marinheiros dada a ponderações filosóficas) e Naomie Harris (a feiticeira Tia Dalma), padecem aqui um subaproveitamento criminoso. As cenas de ação são mais variadas que as de O Baú da Morte; por outro lado, as reviravoltas são tantas, e tão sem propósito, que a certa altura nem vale mais a pena tentar acompanhar a história. Sobretudo, No Fim do Mundo é longo – longo como um filme de Fassbinder, mas com enredo suficiente para não mais do que um episódio de seriado. Piratas do Caribe, enfim, é uma idéia bem repartida entre prós e contras – algo que sua renda extraordinária nem de longe reflete. O que a franquia provavelmente traduz à perfeição é a sintonia peculiar que o produtor Jerry Bruckheimer tem com seu público-alvo. O senso comum dita que filmes compridos, confusos e calcados em gêneros largamente tidos como superados, como o capa-e-espada, são punidos na bilheteria. Bruckheimer, porém, se mostra um mestre em dosar defeitos de forma que eles ganhem a aparência de qualidade. É, enfim, um verdadeiro alquimista: transmuta os cobres do espectador em ouro – para si. Publique este artigo no seu site | Visto: 3285
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