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A imprensa latino-americana destina hoje editoriais ao encerramento das transmissões do canal privado venezuelano "Radio Caracas Televisión" ("RCTV") após 53 anos, e o denominador comum é que a decisão foi "um passo atrás" na Venezuela e nas liberdades da região.
Os venezuelanos opostos ao fechamento da RTCV, o último canal de televisão de oposição ao regime socialista do presidente Hugo Chávez, realizaram um "panelaço" durante toda a madrugada deste domingo em Caracas.
O movimento de protesto começou às 22 horas de sábado e se estendeu das zonas residenciais aos bairros populares, tradicionalmente fiéis ao chefe de Estado. Manifestantes se reuniram durante a noite em várias praças da capital venezuela, enquanto outros circulavam de carro ou de moto pelas ruas para denunciar o fechamento da RCTV (Radio Caracas Televisión). Foguetes também foram disparados. Uma nova manifestação estava prevista para ontem antes do fechamento do canal, cuja licença expirou a meia-noite. As autoridades deviam organizar uma festa para comemorar o lançamento da nova "televisão socialista" (TVES) financiada pelo Estado que vai substituir a RCTV. Chávez, que acusa o canal de TV privado de ter apoiado o golpe de Estado contra ele em 2002, reafirmou sábado durante um discurso sua intenção de não renovar a licença da RCTV, que qualificou de "ameaça para o país". Um importante esquema de segurança policial foi instalado na Venezuela. Segundo pesquisas, mais de 70% dos venezuelanos reprovam o fechamento da RCTV, um canal muito popular por seus programas de entretenimento famosos em toda a América Latina. O Senado dos Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Parlamento Europeu, entre outros, expressaram sua preocupação com o fechamento iminente da RCTV. Chávez classificou a saída do canal como "fechamento de um ciclo". Ele ameaçou os inimigos com contra-ataque em caso de violência. "Que não se enganem, porque o que fiz até agora é somente não renovar a concessão. Mas se eles responderem com ações ilegais, teremos que aplicar o peso da lei", disse o presidente. O Tribunal Supremo de Justiça rejeitou dois pedidos que tentavam evitar a saída do ar da RCTV. O órgão determinou ainda que as Forças Armadas tomem os equipamentos de transmissão para garantir a continuidade do sinal da frequência desocupada, que será entregue a um canal público. (das agências de notícias) DATAS DA RCTV 1953: Radio Caracas Televisión (RCTV) realiza sua primeira transmissão televisiva. 1976: O primeiro governo de Carlos Andrés Pérez interrompe a emissão da RCTV durante três dias, sob a acusação de que a TV teria difundido "notícias falsas e tendenciosas". Este foi o primeiro de uma série de fechamentos, sanções nunca aplicadas contra nenhum outro canal venezuelano. 1980: O presidente Luis Herrera Campins anulou por 34 horas o sinal da cadeia porque ela teria transmitido "narrações sensacionalistas, quadros sombrios, e relatos de fatos pouco edificantes". 1981: Herrera Campins sanciona, dessa vez por 24 horas, a RCTV pela difusão de cenas pornográficas. 1984: RCTV é advertida por apresentar "de forma humilhante" o presidente Herrera Campins e sua esposa. 2006: Durante um desfile militar, o presidente Hugo Chávez anuncia que não renovará a concessão de RCTV vigente até 27 de maio de 2007. Janeiro de 2007: O secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, pede que o presidente revise a decisão. Abril de 2007: O diretor da RCTV, Marcel Granier, genro do fundador Phelps, lidera uma campanha internacional em defesa de sua televisão. Maio de 2007: A Sala Constitucional do Tribunal Supremo declara "inadmissível" o recurso de amparo solicitado pela RCTV contra a não renovação de sua concessão.
Abaixo estão alguns comentários dos principais jornais da América Latina O jornal "Granma", do Partido Comunista de Cuba, é praticamente o único que inclina a favor da não-renovação da permissão à "RCTV" para usar uma freqüência estatal, que a partir de hoje passou para as mãos de uma emissora pública.
"Milhares de venezuelanos lotaram as ruas de Caracas para saudar o nascimento da 'TVes' e a saída do ar da 'RCTV', incitadora do golpe de Estado de abril de 2002 e da greve petrolífera que causou graves estragos à economia do país", afirma em artigo.
No editorial intitulado "Outro degrau", o jornal uruguaio "El País" afirma que o "neototalitarismo" é uma forma de Governo que começou a se expandir "perigosamente pela América Latina", na qual Governos legitimamente constituídos usam meios formalmente impecáveis que "disfarçam fins espúrios".
Segundo o "País", o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não renovou a licença da "RCTV" porque esta "não foi submissa".
O jornal "El Observador", também uruguaio, indica que o ocorrido com a "RCTV" diz respeito a "uma decisão política de um presidente que decide por si mesmo até onde podem chegar os níveis de oposição ao poder absoluto com que governa seu país", e afirma que outros quatro canais privados tiveram a concessão renovada.
O jornal paraguaio "ABC Color", que traz a manchete "Chávez mata a liberdade na Venezuela", afirma que a não renovação da licença à "RCTV" é um "um giro para o totalitarismo".
O "La Prensa", do Panamá, indica que Chávez está "a pouco de se transformar em um autocrata", e que os outros dois poderes do Estado venezuelano - o Legislativo e o Judiciário - abaixaram silenciosamente a cabeça diante da medida contra a "Radio Caracas Televisión".
Outro veículo de comunicação panamenho, "El Siglo", diz que o presidente da Venezuela - que chama de "o novo ditador da América" - "feriu de morte" um direito inalienável.
O "Jornal do Brasil" afirma que a decisão de Hugo Chávez foi "uma bofetada na América Latina" e lamenta que "as democracias estáveis na região, o Brasil incluído, foram incapazes de impedir mais uma perigosa demonstração de desprezo à liberdade".
Apesar de publicarem várias informações sobre o assunto, nenhum jornal da Colômbia ou do Chile opina hoje sobre o caso "RCTV".
No argentino "Clarín", Teodoro Petkoff, diretor do jornal venezuelano "Tal Cual", afirma que Chávez está levando adiante "um plano para criar uma hegemonia midiática". Afirma que, se a desculpa contra a "RCTV" foi seu "golpismo", a Venevisión - "o outro grande canal" da Venezuela, disse - "deveria ter sido tirado do ar há tempos".
O jornal "Prensa Libre" da Guatemala, afirma que "o arbitrário fechamento" da "RCTV" é "um passo atrás para o povo venezuelano" e consolida "um movimento político unipessoal, cujos principais objetivos são acabar com as liberdades dos cidadãos". Julio Rodríguez, um dos colunistas mais tradicionais da Costa Rica, escreve no "La Nación" que, "ontem à noite, voltou a cair a noite sobre a liberdade na Venezuela".
Em Honduras, o "La Tribuna" adverte que "o eclipse é lá na Venezuela, mas a escuridão a todos abrange, porque é um atentado contra a liberdade".
O dominicano "Listín Diario" indica que "o regime 'chavista' anda em mau caminho, já que não pode suportar as críticas de um meio independente e não admite que lhe digam verdades irrefutáveis sobre seus desenfreamentos, seus ridículos e suas arbitrariedades".
No jornal peruano "El Comercio", o comentarista internacional Alejandro Deustua disse que "o Governo da Venezuela acelerou a passagem da maquinaria disposta a destruir, nesse país e no hemisfério, os valores liberais e as instituições que os organizam".
O "La Republica", também do Peru, diz que "o realmente perigoso da 'RCTV' era seu alcance nacional, invejado pelo oficialismo e sem equivalência entre as redes que ficam, das quais só uma poderia ser qualificada como opositora e se reduz a Caracas".
No Equador, o jornal "El Comercio" considera que, neste caso, "se repete uma lição conhecida na América Latina, quando um projeto autoritário não coincide com a imprensa: primeiro o assédio, depois a divisão, seguem as medidas econômicas e o encerramento".
"El Diario de Hoy", de El Salvador, diz que a "TVes", o canal que substitui a "RCTV" na freqüência, é "uma dependência do aparelho de propaganda de Chávez".
Para o jornal mexicano "El Universal", o fim da "RCTV" em sinal aberto é a "inauguração de uma etapa mais totalitária do 'chavismo'".
Israel López, do jornal "Excélsior", do México, considerou que a medida do Governo venezuelano coloca "um precedente terrível para toda a América Latina". Publique este artigo no seu site | Visto: 1975
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