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Qual a cidade com a maior taxa de homicídios do Ceará? Quem pensou em Fortaleza ou algum outro município da Região Metropolitana, enganou-se profundamente. A resposta está a 310 quilômetros da Capital, na cidade de Mombaça (41,9 mortes por 100 mil habitantes), que ocupa o primeiro lugar na lista de municípios mais violentos. Dos nove municípios cearenses que fazem parte da lista dos 556 mais violentos do Brasil, segundo o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros da Organização dos Estados Íbero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura (OEI), oito estão no Interior.
Fortaleza aparece apenas no nono lugar, com 29,9 mortes por 100 mil habitantes. O resultado confirma a tendência de interiorização da violência ocorrida nos últimos anos, destacada pela própria pesquisa da OEI e pelas autoridades policiais. Segundo reportagem do O POVO do dia 11 de janeiro desse ano, o número de homicídios no Interior passou de 618, em 2005, para 660, em 2006. Muitas causas podem explicar esse quadro, como o desenvolvimento das cidades interioranas e a expansão da criminalidade.
A ausência do poder policial também é uma delas. Dos nove municípios mais violentos, três não possuem delegacia: Ibicuitinga (41,3 por 100 mil hab), Jaguaretama (31,2 por 100 mil hab) e Capistrano (30,2 por 100 mil hab). São João do Jaguaribe, que também integra a lista, teve sua delegacia ser inaugurada somente este ano.
Um bom exemplo da importância da presença da Polícia para coibir a violência é a própria cidade de Mombaça. Segundo a escrivã Maria Benevides, que trabalha na delegacia municipal, a principal causa de mortes no local são as disputas envolvendo famílias rivais. Um dos últimos casos ocorreu em setembro de 2006, quando Darciano Bezerra Martins, o Maninho da Mombaça, foi morto com vários tiros de revólver no retorno à cidade. Para a Polícia, o crime tem todas as características de pistolagem e estaria ligado a uma rixa familiar que teve início em 2000 e já matou oito pessoas.
Nos cinco primeiros meses de 2007, contudo, o número de homicídios diminuiu. "Na década de 90, houve muitos assassinatos por causa de rixa entre famílias. Mas, de uma hora para outra, elas pararam de brigar. Nesse ano, só houve um homicídio na cidade", disse. Entre os motivos apontados pela escrivã está o reforço no contingente policial, ocorrido há seis meses. O número de policiais civis passou de dois para quatro, enquanto o de PMs saltou de oito para 20.
Efetivo Em Russas, o delegado regional Agenor Freitas de Queiroz conta com 18 policiais civis e duas viaturas. Segundo ele, o efetivo é o maior entre as regionais. O que falta, alega, são peritos criminais. Há apenas dois profissionais para atender nove cidades e uma população estimada em 264 mil pessoas. A pouca quantidade de peritos e a ausência de um delegado municipal acabam sobrecarregando o trabalho policial, destaca. Queiroz afirma que, por causa disso, chegou a atender uma ocorrência de porte ilegal de arma no dia de sua folga.
Além dos crimes de morte, um dos maiores problemas enfrentados pela Polícia na região, informa, são as quadrilhas originárias do Rio Grande do Norte que costumam agir no local. A média de ocorrências chega a duas por semana. De acordo com o delegado, um dos assaltantes foi preso, mas dois encontram-se foragidos.
Estudo
O Mapa da Violência leva em consideração os dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Para se chegar à taxa média de homicídios de uma cidade, calcula-se o número de ocorrências para cada 100 mil habitantes. O estudo levou em consideração os anos de 2002 a 2004. O município com maior taxa no País é Colniza, no Mato Grosso: 165,3 homicídios para cada 100 mil habitantes. Publique este artigo no seu site | Visto: 3876
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