A Polícia Federal (PF) está investigando, em Sobral e outros Municípios da Região Norte do Estado, golpes aplicados por um consórcio ilegal para aquisição de motocicletas, fato denunciado com exclusividade pelo Diário do Nordeste na edição de ontem. O principal acusado é o comerciante Francisco de Assis Leitão, dono de uma rede de lojas intitulada ‘Eletromotos”.
Ele está foragido depois de fechar filiais em várias cidades, lesando centenas de pessoas. A fraude pode alcançar a cifra de R$ 10 milhões, segundo levantamentos realizados pelas autoridades policiais.
´São casos caracterizados na chamada lei do ´colarinho branco´, que não permite que pessoas jurídicas funcionem como instituições financeiras´ , explica o delegado Sílvio César Castilho, que está respondendo atualmente como chefe do posto da PF, em Sobral.
O delegado explica que vem recebendo informações dando conta da existência de lojas agindo com consórcios fraudulentos naquela região, mas não dá mais detalhes a respeito. ´O consórcio promete o bem mediante sorteio e o pagamento das parcelas. Mas, chega-se ao ponto em que o bem não é entregue nem é devolvido o que já foi pago´, afirmou. ´Estamos investigando o caso com profundidade. Só não adianta dar muitas informações agora´. Além de Sobral, de acordo com o delegado, já foi instaurado inquérito com relação a mesma rede de consórcios fraudulentos na cidade de Crateús. Castilho esclarece que as equipes da PF no Município de Sobral trabalham em sistema de rodízio, mas isto não prejudica a investigação. ´Temos aqui um posto avançado e não uma delegacia. Por isso o funcionamento é feito em sistema de rodízio das equipes. Mas o delegado que assume o posto dá continuidade à investigação já iniciada.´
Segundo a PF, a Lei do Colarinho Branco (Lei 7.492, de 16 de junho de 1986) prevê os crimes praticados contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Infringi-la pode acarretar uma pena de dois a seis anos de prisão, além do pagamento de multa. Consórcios só podem ser abertos com a autorização do Banco Central.
MAIS CASOS - Em Reriutaba, outro Município da Região Norte, pelo menos 20 pessoas que foram vítimas de golpes da mesma natureza também já procuraram a Polícia para prestar queixa.
´Havia uma loja que fazia os consórcios aqui, na região, e acabou lesando todas as pessoas. O dono da loja desapareceu´, conta um policial daquele Município. ´O resultado disso é que umas 20 pessoas que moram aqui ficaram no prejuízo´. O golpe teria sido praticado também pelo comerciante que agora está foragido.
Muitas vítimas
Dados da Polícia Civil indicam que a fraude atingiu também as cidades de Crateús, Ipu, Ipueiras, São Benedito, Hidrolândia, Reriutaba, Guaraciaba do Norte e Santa Quitéria. A quantidade de pessoas lesadas não foi ainda calculada pela Polícia. Mas, só em Ipueiras, são 614 vítimas.
O Diário esclarece que a foto publicada na edição de ontem, na matéria sobre o golpe, foi meramente ilustrativa. As investigações revelam que nenhuma empresa de consórcio estabelecida em Fortaleza tem envolvimento no caso. POPULAÇÃO LESADA
Golpe virou uma ‘febre’ no interior
A fraude que lesou milhares de pessoas no Interior do Ceará vinha funcionando há, pelo menos, quatro anos, e se estendeu por vários Municípios. Lojas foram instaladas nas sedes municipais e vendedores eram atraídos para disseminar na população a falsa idéia de que todos os ‘consorciados’ seriam contemplados com o recebimento das motos.
O consórcio fraudulento funcionava no mesmo esquema das conhecidas ‘pirâmides’. Eram formados grupos de 48 pessoas. Todas começavam a pagar as prestações e aquelas sorteadas à cada mês recebiam a moto e não precisavam mais pagar o restante das prestações. Porém, teria que ser substituída por outro interessado em entrar no esquema.
Fecharam
Para garantir credibilidade com os clientes, os responsáveis pelo ‘consórcio’ chegaram a entregar várias motos. A desconfiança da população só surgiu quando, de forma repentina, lojas da ‘Eletromotos’ começaram a ser fechadas, sem que os ‘consorciados’ recebessem qualquer explicação.
A primeira loja que fechou as portas, segundo investigações da Polícia, foi a da cidade de Crateús. Dezenas de pessoas acabaram tendo sérios prejuízos financeiros.
Com preços populares - prestações que variavam entre R$ 20,00 a R$ 195,00 - a aquisição de motos através deste tipo de negócio virou uma ‘febre’ em vários Municípios cearenses.
Em Ipueiras, por exemplo, foram fechados 614 ‘contratos’. Os consorciados eram, em geral, pessoas humildes, como trabalhadores rurais, autônomos, estudantes e donas-de-casa. O sistema idêntico às ‘pirâmides’ permitia que uma só pessoa pagasse até quatro planos. Quem agiu assim, amargou maior prejuízo. A PF acredita que pode chegar a outros crimes como estelionato e enriquecimento ilícito. Publique este artigo no seu site | Visto: 4017
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