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Às 20h de ontem, juiz Carlos Augusto Gomes deu parecer favorável à ação impetrada pela direção do órgão
Pronunciamentos, orações, café comunitário e muita indignação. Assim foi o segundo dia de greve, ontem, dos servidores do Departamento Estadual de Trânsito, que prosseguiu com alto índice de adesão de quase 100%.
“Logo pela manhã fomos surpreendidos pela presença do Batalhão de Choque da Polícia Militar e de dois carros da Ronda do Quarteirão”, enfatizou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Trânsito no Estado do Ceará (Sinedetran), Eliene Uchoa. Assegurou que o movimento é ordeiro e pacífico.
À noite, porém, o juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública, Carlos Augusto Gomes Correia, atendeu ao pedido de decretação da ilegalidade da greve feito pela direção do órgão. O argumento apresentado foi de que, por prestarem um serviço essencial, os trabalhadores não poderiam parar suas atividades sem comunicar, oficialmente, com 72 horas de antecedência e, ainda, precisariam manter 30% das atividades fins em funcionamento.
No início da tarde, porém, o líder sindical já havia garantido à reportagem que os trâmites legais “foram observados e o governo do Estado avisado com a devida antecedência”.
“Nossa expectativa é de que na segunda-feira seja restabelecida a normalidade”, disse o superintendente do Detran, João Pupo, lembrando que a decisão judicial prevê multa de R$ 15 mil ao dia caso o Sindicato não cumpra a decisão. Ainda a noite de ontem, a reportagem tentou ouvir a presidente Sinedetran, Eliene Uchoa, mas o seu celular estava fora de área.
Durante quase todo o dia, muitos dos grevistas permaneceram reunidos debaixo das mangueiras. No fim da tarde, fizeram orações. Mas, não esqueceram de protestar também contra o não avanço nas negociações e, sobretudo, contra a atitude da direção do órgão em suspender o transporte que os levam as unidades do Detran e o fornecimento do almoço que recebem diariamente. “O clima é de pressão e querem desestabilizar nosso movimento”, protestou Eliene Ucha.
CONTRAPROPOSTA Paralisação interrompeu negociação com o governo
Dentre as reivindicações prioritários dos servidores em greve do Detran destacam-se a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e a realização de concurso público para ingresso no órgão. O superintendente do Detran, João Pupo, explica que o proposto no PCCS pela categoria representa um aumento nos salários que vai de 350% a 1.000%. “É complicado para o Detran e para o Estado um reajuste dessa magnitude”, diz.
Ele adianta que o órgão apresentou uma contraproposta prevendo um aumento na produtividade que oscila de 60% a 80%. Também foi proposto um reajuste de 20% na gratificação em operação de rua e de 70% em operação de habilitação. Para João Pupo, a decretação da greve “foi uma surpresa” porque interrompeu o processo de negociação em curso, inclusive com reunião marcada para este mês.
A gerente comercial de uma concessionária em Fortaleza, Ana Pinheiro, afirmou que, devido à greve, a empresa passou por dificuldades para entrega de carros aos clientes, porém, gradativamente, o serviço volta a normalidade. “Temos um despachante competente, mas mesmo assim tivemos dificuldade para adquirir documentos. Dependemos do Detran para isso e deixamos de atender alguns clientes. Mas hoje (ontem) já houve uma melhora, entregamos cinco carros”.
O motorista Francisco Aldei Ângelo da Silva, que comprou um veículo recentemente em outra empresa, espera o emplacamento do veículo para recebê-lo. “A concessionária garantiu me entregar o carro que veio de São Paulo em até 45 dias e cumpriu. Mas ainda aguardo o emplacamento. Mesmo com a greve do Detran, espero receber o veículo na segunda-feira. A concessionária já encaminhou os documentos para o órgão”, diz. Publique este artigo no seu site | Visto: 2746
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