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João das Pedras: O ladrão que se tornou santo PDF Imprimir E-mail
10 de novembro de 2008
Michelle MaiaEm 1999, uma visita ao Cemitério de São Benedito durante o Dia de Finados fez com que a historiadora Michelle Maia encontrasse o tema de uma pesquisa que se estenderia por seis anos. Recém-chegada à cidade, ela estranhou a aglomeração de gente e o grande número de velas e lembranças depositadas em um dos túmulos, que na época não tinha sequer identificação. Mas ao perguntar quem era, disseram apenas que o nome do morto era João e que ele havia morrido queimado. Resposta, para ela, insuficiente para justificar a mobilização em torno do local.



O túmulo guarda os restos mortais de João das Pedras, o ladrão mais conhecido de São Benedito durante os anos 70. Isso mesmo. Um ladrão que, por conta de sua morte trágica e toda uma mitologia criada a seu respeito ao longo do tempo, passou a ser objeto de culto da religiosidade popular. Na cidade, João das Pedras é o morto que mais recebe visitas e encomendas de missas, mesmo à revelia da Igreja Católica.

Três anos depois daquela visita, já aluna do curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Michelle se interessou por aquele morto que suscitava tanto demonstrações de fé quanto de descrédito nos moradores.

“Descobri que dona Eridan, minha vizinha, era sobrinha do João das Pedras. Foi ela quem me contou que ele era ladrão e que tinha morrido eletrocutado por uma cerca elétrica, enquanto tentava entrar numa casa. A partir daí comecei a questionar essa devoção. O que faz com que uma sociedade conservadora, em que a conduta dos demais é sempre observada de perto, atribua santidade a um homem que não tinha nada de extraordinário e que, ainda por cima, roubava?”.

A partir daí, ela passou todos os Dias de Finados ao lado do túmulo para acompanhar as demonstrações de fé dos visitantes. A historiadora lembra que a primeira dificuldade na pesquisa foi encontrar registros e documentos oficiais sobre João das Pedras.

“Fiz pesquisas na delegacia e no Fórum Municipal de São Benedito, mas não encontrei sequer registros de suas prisões. A família informou que os documentos dele se perderam durante um incêndio”, contou.

 

Fotos do túmulo


Por conta disso, Michelle recorreu às narrativas e construções a partir da oralidade. Diante da riqueza do material coletado, Michelle estendeu suas pesquisas para o mestrado em História Social da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde está prestes a defender a dissertação “João das Pedras: um santo às avessas”.

Ela conta que uma das coisas que mais a surpreendeu durante as entrevistas foi ouvir do senhor João Crescença, 78 anos, ex-carcereiro que conheceu João das Pedras e tantas vezes tomou conta dele na delegacia local, que aquele era o ladrão dos pobres.


“Muitas pessoas que entrevistei justificavam o fato dele ser ladrão dizendo que ele roubava apenas roupas e alimentos para doar aos pobres, além de nunca ter cometido um ato violento. E como ele conseguiu fugir várias vezes da cadeia, muita gente diz que ele tinha o corpo fechado por uma oração dada pela avó, que ele sempre carregava”, explica Michelle. Mas na opinião da historiadora, o fato determinante para que ele fosse considerado um santo foram as circunstâncias em que ele morreu. Em 1978, depois de três tentativas de arrombamento, Epifânio Rodrigues instalou de forma ilegal uma cerca elétrica na casa.

Túmulo sendo visitado por diversas pessoasNa madrugada do dia 4 de abril, João das Pedras morreu eletrocutado ao entrar em contato com a cerca. Pela manhã, algumas pessoas amarraram o corpo do ladrão numa vara e o arrastaram até o Centro da cidade, fazendo chacotas e ofensas em plena rua. “Mais do que a morte, a profanação do corpo foi o que o redimiu aos olhos do povo, até porque na época estava no período da Quaresma, em que se deve guardar respeito. É a idéia do homem injustiçado, cuja morte foi tramada para que ele não pudesse mais ameaçar as classes superiores. E tudo porque ajudava os pobres”.

A soma de todos esses fatores fez com que uma pessoa que teria tudo para passar despercebida pela vida fosse transformada num símbolo capaz de realizar milagres e proteger contra os perigos. Mas a pesquisadora frisa que esta não é uma devoção unânime na cidade. “Muitas pessoas são contra esse culto, dizem que é ignorância do povo ver um santo num ladrão. No Dia de Finados, há quem vá ao cemitério para questionar a peregrinação, mas quem acredita dá sempre a mesma resposta: que ele é santo porque ajudava os pobres, morreu queimado e o corpo foi muito judiado”, destaca.

HISTÓRIA
Estudo busca entender ligação com fenômenos sociais

Orientador da PesquisaFortaleza. Para o historiador Régis Lopes, que orienta a pesquisa “João das Pedras: um santo às avessas”, no mestrado em História Social da UFC, a produção de pesquisas sobre pessoas consideradas “à margem” da sociedade podem ser creditadas às renovações ocorridas nos estudos da História Social, no decorrer do Século XX. Assim, o que passa a interessar não é o indivíduo isolado, como nos estudos dos “grandes homens” do passado, e sim a conexão com as mudanças e permanências sociais, a partir das trajetórias individuais.

“Em relação à história das religiões, existe o interesse suscitado pelas manifestações coletivas que não são oficiais. Entra em cena a pesquisa sobre as crenças populares, que não obedecem aos padrões institucionais”, explica. São pessoas cuja santidade nasce a partir do imaginário popular, para quem a falta de reconhecimento oficial é irrelevante para definir o poder de proteger e conceder graças. Ele cita como exemplo a devoção em torno do túmulo de Jararaca, cangaceiro que fez parte do bando de Lampião.

Depois de ser preso em Mossoró (RN), Jararaca foi enterrado vivo pela Polícia. Essa história poderia ser percebida como um fato relativamente comum na crônica das violências policiais da época, mas o povo começou a fazer promessas no túmulo. Assim como no caso de João das Pedras, a maneira como Jararaca morreu despertou a devoção do povo, que atribuiu santidade ao bandido.

“Muitos santos populares são pessoas comuns, mas que tiveram mortes trágicas ou sofreram alguma violência. A devoção é uma experiência social, porque só há santo quando há devotos”, diz Régis. Mas se este é um campo fértil em possibilidades de pesquisa, ele vê, na falta de perspectiva histórica de alguns trabalhos, a causa para inconsistências e problemas de interpretação desse fenômeno social e religioso.

“Há pesquisas que tratam esse fenômeno como obra do acaso, como se não tivessem trajetórias dinâmicas no tempo. Outra questão é a falta de estudos com conhecimento sobre Teologia Católica e as interpretações bíblicas. Muitas idéias populares estão em articulação criativa com a Bíblia. Como estudar essa religiosidade sem conhecer a Idade Média ou até a História da África? Somos herdeiros e deserdados de muitas culturas”. E como compreender a devoção e a fé em relação a pessoas que não se encaixam no que a tradição e as instituições dizem ser um santo? Para ele, a vida verdadeira ocorre fora daquilo que se considera oficial e é a partir disso que se pode compreender as mudanças no tempo. Enquanto o trabalho do pesquisador é questionar, o devoto simplesmente tem fé e se considera agraciado pelos benefícios atribuídos à intervenção divina desses santos. “As instituições erram, oprimem, não são donas da verdade e gostam de agradar os ricos. O povo sabe e sente na pele. Jararaca e João das Pedras são santos, seus túmulos são venerados pelo povo. São pessoas que sofreram violências que o povo continua a sofrer, por isso há essa grande identificação com esses santos populares. Simbolicamente e concretamente, o povo continua sendo enterrado vivo”.

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Chamado de ´o bom ladrão´, São Dimas é considerado o primeiro santo. Ele foi crucificado ao lado de Cristo. No Ceará, Padre Cícero é o maior exemplo de santo a partir da devoção popular. Seu túmulo é ponto de peregrinação. Durante todo o ano, são encomendadas missas por João das Pedras. Seu túmulo é o mais visitado no Dia de Finados, em São Benedito. Mesmo invocado por várias razões, acredita-se que João das Pedras seja protetor das viúvas e das mulheres em resguardo.

Mais informações:
Pesquisadora Michelle Maia
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Mestrado da UFC
(85) 3366.7741
www.historia.ufc.br

 

 Notícia retirada do site Diário do Nordeste


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Comentários (11)
1. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 08-12-2008 12:29 - Visitante - IP: 189.36.203.20
 
 
Olá, me chamo Simone eu morei praticamnete a minha vida toda em são Benedito e sempre ouvi as histórias sobre João das Pedras, minha mãe dizia que sentia um certo temor por ele, mas ao mesmo tempo admirava o fato dele pensar nos pobres, pode até ser que seja uma trangressão da sociedade admirar alguém com conduta delituosa, mas há que se pensar também que vivemos numa sociedade tão injusta, tão desumana, tão desigual que em alguns afloram o censo de justiça, a vontade de fazer justiça com as próprias mãos, é como se fosse um chamado pra sociedade rever suas atitudes. 
Fiquei impressionada com o estudo feito pela historiadora e satisfeita com o resultado!
 
2. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 11-12-2008 09:22 - Visitante - IP: 189.13.72.20
 
 
É de grande iportancia uma reportagen como essa que nos faz lenbrar as palavras de JUSUS CRISTO,para dimas ainda hóje estrarás comigo no paraíso. NÃO quero dizer que os fins justifique os meios,mais que cada ser ven ao mundo con uma determinada missão mais como DEUS deu ao ser humano o livre árbítrio cabe a ele cumprila-la ou não.
 
3. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 18-12-2008 10:50 - Visitante - IP: 189.32.151.230
 
 
ola tb?meu nome e kleiton sou de sao benedito amo essa cidade.quero parabenizar a todos por essa materia tao importante para me;hoje moro no rj +nao sai nem um momento da cabeça essa cidade.e isso me traz+conhecimento sobre joao das pedras q minha mae sempre me falava?quero +uma vez parabenizar a todos q faz a radio tabajara e desejar um maravilhoso natal e um feliz 2009 fiquem com deus.bom dia kleiton...
 
4. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 18-12-2008 15:27 - Visitante - IP: 189.60.231.79
 
 
A quanto tempo eu não ouvia falar desse episódio.Não sabia que minha família estava nos anais da estória de São Benedito.O sr.que segundo a historiadora,armou uma cerca elétrica ilegal era meu avô e detalhe:depois de três tentativas de arrombamento à casa da minha tia cujo marido estava no RJ.É isso aí Tabajara também é cultura.Abç aos amigos de sempre do Ivan do Chicão.
 
5. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 06-02-2009 18:55 - Visitante - IP: 200.253.91.106
 
 
Não sei porque muita gente aqui em São Benedito, não acredita que João das Pedras, faz milagres, só porque era ladrão, Ué e o Pe. Ciciero que foi até exzcomungado??? E não é o maior santo cearense. Aqui em São Benedito também POOOOOOOOOOOde!!!
 
6. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 18-04-2009 12:30 - Visitante - IP: 82.154.96.109
 
 
AHAHAHAH Só mesmo o povo ignorante para transformar ladrao em santo daqui a pouco temos os santos politicos!!! Acorda povo deixa estas coisas para tras é por isso que o brasileiro é atrasado e não evolui, esse povo precisa de ter respeito por si mesmo
 
7. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 21-04-2009 19:58 - Visitante - IP: 189.25.193.177
 
 
Conheço as duas partes da história
Eu acho que foi uma fatalidade.A casa que o João das Pedras tentou 3 vezes arrombar era de pessoas simples e não de poderosas.Não acredito na sua santidade,é verdade que ele foi amarrado em uma vara,porém não foi arrastado até o Centro como à referencia.Quem fez isso foram pessoas simples.Essa história é muito importante para podermos refletir sobre o que é santidade.
 
8. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 09-05-2009 15:10 - Visitante - IP: 200.219.110.250
 
 
era meio lenda, agora já não tanto
Meu nome é Zuleide, nascida em São Benedito, Estudei até a 8ª série no Patronato e vim pra estudar em Basília, formei em Economia, fiz pós-graduação em Gestão e orçamento público e etc. Mas essa história da morte de João das Pedras era meio fantasiosa, pra mim. Agora ficou claro o que realmente aconteceu. :zzz
 
9. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 09-09-2009 08:42 - Visitante - IP: 200.166.119.70
 
 
x-x-x-
8) Fui morador desta cidade na década de 80 e tive o privilégio de acompanhar toda essa manifestação de credito a joão das pedras. 
São Bendito, como j. do norte ou a minha cidade, Guarabira, tem seus santos, que tiveram mortes trágicas e passaram a serem devotasdos pelos os menos favorecidos. 
Este tipo de devoção, no meu entender, é muito comum em nosso nordeste, por conta dos sempre insoluvéis problemas sociais. 
Viva João das Pedras! em são benedito 
Viva o padre cícero! em J. do norte 
Viva totô furapédra! em guarabira-pb 
grato: 
marco freitas
 
10. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 14-02-2010 23:15 - Visitante - IP: 187.53.13.44
 
 
x-x-x-
Sobre o João das pedras isso é apenas uma lenda, porque ninguém vira santo por morrer tragicamente.E o nome do ex-carcereiro não~é João Crescença e sim Joaquim Crescêncio da Costa.
 
11. Escrito por Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo em 20-07-2010 01:01 - Visitante - IP: 94.62.59.228
 
 
x-x-x-
gracias por todos, e por mejor
 

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Ludimá Marques

Antonio Ludimá De Araújo Marques natural de Pacujá-CE,seu trabalho  com a comunicação começou logo muito cedo,aos 11 anos quando foi jornaleiro  na sua cidade.
Sua paixão pelo rádio deu inicio no comerço da década de 90 quando ainda criança sua mãe ao acordar ligava o rádio no programa "varadão da fazenda" da Rádio Tupinabá de Sobral.
Ao longo dos anos sua paixão foi aumentando e aos 13 anos largou na radiofônia cearense,sendo um dos membros do programa da Pastoral da Juventude da Paróquia de Pacujá na FM São Francisco daquela cidade.
Em 2002, passou a residir em São Benedito e foi convidado a fazer parte da equipe da  Rádio Tabajara pelo diretor da época Paulo Luz. Apresentou programas como:Brega Show,Comando Geral,Boa Noite Amor,A noite é Nossa,Show Da Manhã e o Forrozão Tabajara.
Hoje, é apresentador oficial do programa Jornal Regional líder absoluto de audiência em São Benedito e região,levando as informações da região a milhares de ouvintes espalhados pela serra da Ibiapaba,buscando sempre levar a frente a responsabilidade da notícia verídica ,é correspondente do Sistema Verdes Mares de Comunicação da Rádio Verdes Mares AM no programa Radio Notícias Verdes Mares, Ludimá Marques é  conhecido na região como o 'Baby do Rádio',por ter iniciado no rádio tão jovem.
É um grande esportista torcedor do Fortaleza Esporte Clube,membro da APCDEC e ABRACE,faz parte da equipe esportiva 870 sempre comandando as narrações e reportagens nas transmissões esportivas por todo  o estado do Ceará.
Ocupa o cargo de diretor administrativo desta conceituada emissora,formado em radialismo pela Faculdade Integrada Da Grande Fortaleza (FGF),cursa bacharelado em administração empresarial pela Faculdade Unives,Ludimá Marques faz rádio por amor,amando o que faz,o mesmo se sente muito recompensado ao saber que o seu maior patrimônio no rádio é o ouvinte seja no rádio receptor ou pela internet.  

LOCUTOR:Ludimá Marques
PROGRAMA: Jornal Regional e Jornadas Esportivas
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