PF interrompe depoimento de presos na Operação furacãoA Polícia Federal (PF) mudou de estratégia no caso da máfia dos jogos ilegais e decidiu interromper neste domingo os depoimentos dos bicheiros, desembargadores e delegados presos na sede da instituição em Brasília. O objetivo é concentrar esforços no transporte do Rio para Brasília e na análise de duas toneladas de documentos e computadores apreendidos nas residências e escritórios dos acusados. Os cerca de dez agentes da PF envolvidos no caso ouviram até o meio dia do domingo 17 dos 25 presos.
Depoimentos do sábado Alguns advogados que acompanharam os primeiros depoimentos informaram que seus clientes têm mantido silêncio a maior parte do tempo, já que não têm conhecimento das acusações. "Nossos clientes não sabem quais são as acusações", disse o advogado Délio Lins e Silva, que defende João Sergio Pereira. Segundo ele, a ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem o objetivo de colher depoimentos. O advogado Thiago Bouzo, que defende Júlio Guimarães, o presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio, Capitão Guimarães, e o desembargador Regueira, afirmou que não teve acesso a nenhuma informação do inquérito. "A gente não sabe qual é a acusação e, por isso, o silêncio tem sido uma constante. As acusações são genéricas e a própria decisão que decretou as prisões é abstrata. Portanto, não há do que se defender".Para Bouzo, a partir do momento em que os advogados tiverem acesso aos inquéritos é que vão orientar seus clientes sobre os depoimentos e as medidas a adotar. O Supremo está digitalizando os inquéritos e os advogados não sabem quando ficarão prontos. Segundo Bouzo, a prisão preventiva, pela lei, é de até cinco dias, prorrogáveis por igual período. Relaxamento de prisão Advogados de alguns dos detidos na operação pediram ao STF o relaxamento de prisão. Entre eles estão o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro, e o advogado Silvério Nery Cabral Júnior. O pedido será analisado pelo ministro do STF Cezar Peluso, autor da decisão que determinou a prisão do grupo das 25 pessoas. A expectativa é de que Peluso decidirá os pedidos de relaxamento de prisão apenas na próxima semana. O advogado Raul Ornelas, que representa Luiz Paulo Dias de Matos e a única mulher entre os 25 presos na Operação Furacão, Susie Pinheiro Dias de Matos, que trabalha na Agência Nacional de Petróleo (ANP), também poderá entrar com pedido de relaxamento de prisão de seus clientes. "São pessoas de boa índole e excelente profissionais", afirmou o advogado. "O fundamento de uma prisão temporária é garantir a coleta de provas, o que já foi feito, não há necessidade de manter a prisão após os depoimentos", completou. Publique este artigo no seu site | Visto: 2438
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